01/09/14 17h43

Foton inaugura concessionária modelo

Futura fabricante de caminhões pretende abrir 50 lojas até julho de 2015

Automotive Business

Futura fabricante de caminhões pretende abrir 50 lojas até julho de 2015

Quatro meses depois de apresentar o terreno de Guaíba (RS) que abrigará sua futura fábrica no Brasil, prevista para entrar em operação no primeiro semestre de 2016 (leia aqui), a Foton Aumark abriu as portas de sua primeira concessionária modelo na quinta-feira, 28.

Localizada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a revenda pertence ao grupo empresarial LCM (Luiz Carlos Mendonça), sociedade entre o presidente da Foton Aumark, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e do diretor comercial e de desenvolvimento de rede, Ricardo Mendonça de Barros. Segundo o diretor, o grupo foi criado com o objetivo de formar forte rede de representação da marca na região, importante para o segmento de caminhões leves e semileves no qual a empresa atuará a princípio.

“A LCM é uma empresa com estrutura e gestão independente da Foton, focada nas operações comerciais. É uma prova de que apostamos nas vendas da marca no Brasil. Duas novas concessionárias padrões LCM devem ser inauguradas nos próximos meses, uma em Várzea Paulista e a outra no Ceasa, pontos de acesso de caminhoneiros”, comenta o diretor.

Durante apresentação do terreno da fábrica, o presidente já havia anunciado que, mesmo diante de sucesso futuro da marca, poderia vender a planta brasileira pronta para os chineses do Grupo Beiqi Foton Motors. “Nós temos dois contratos com a Foton, um para a fabricação de veículos e outro para revendê-los no Brasil. Nada nos impede de apenas representar as vendas da marca no futuro”, apontou Mendonção, como é conhecido.

A nova unidade de Guarulhos, no bairro de Cumbica, substitui outra concessionária do grupo que ficava na mesma cidade. A casa foi realocada para uma região com maior fluxo de caminhões e fácil acesso aos clientes e é a primeira construída dentro dos padrões visuais, de qualidade e de conforto estipulados pelos executivos da empresa.

Competitividade

Bernardo Hamacek, CEO da Foton Aumark, explica que a ideia é ter lojas tanto da LCM quanto de outros grupos espalhados pelo País, com operação enxuta. “Não queremos ter concessionárias muito grandes, que tenham custo muito alto. Pretendemos reduzir o máximo possível o tempo de espera do motorista, fazendo com que seu caminhão seja consertado no mesmo dia. Não temos espaço para deixar veículos parados. Será uma rede eficiente, mas sem a necessidade de luxos. O cliente comprou um caminhão com custo competitivo e também não quer pagar caro para mantê-lo.”

Maurim Silva Junior, gerente geral da LCM Caminhões, conta que a operação é enxuta, mas preza pelo bom atendimento. A concessionária de Guarulhos, em seus 800 metros quadrados de área construída, conta com um espaço para o descanso e lazer com uma estrutura com banheiros, café, água, internet wi-fi, TV por assinatura e jogos interativos. Tem oito boxes para prestar serviços de mecânica, elétrica, revisões de troca de óleo, área de financiamentos e seguros e vendas.

Para abrir uma concessionária de “padrão intermediário”, com um a dois boxes de atendimento, Hamacek diz que é necessário investimento de cerca R$ 1,2 milhão. O executivo calcula que uma unidade do tipo tenha de vender 10 caminhões por mês ou 120 por ano para ser lucrativa. “Em dois anos, o executivo recupera o investimento inicial”, aponta.

Durante a última ExpoFenabrave, no início do mês, segundo Ricardo Mendonça de Barros, 25 grupos de distribuidores de outras marcas de caminhões entraram em contato com a Foton para abrir loja no Brasil. “Desses, 20 já assinaram a carta de intenção”, aponta o diretor. Atualmente, a Foton tem 26 concessionárias espalhadas pelo País. O número deve aumentar para 30 ainda este ano e para 50 até o meio do ano que vem.

“Nós temos conseguido atrair distribuidores por causa de um ‘business plan’ estruturado para garantir boa margem de lucratividade. A maioria das concessionárias nasce com planos para 10, 20 anos. Nós, não. Estamos focados em pensar nos próximos dois anos em ter resultados já a curto prazo. O nosso grupo tem experiência suficiente para apontar o que não pode ser feito”, explica Antonio Daldati, conselheiro da presidência e das operações comerciais, que teve longa passagem pela Volkswagen e Iveco.

Uma das apostas para a alta competitividade das lojas, segundo Dadalti, será trazer peças importadas da China para suprir o pós-vendas. “Os nossos caminhões já nascem com 70% de peças nacionais para ter acesso à linha de financiamento Finame, do BNDES. Mas isso não significa que suas peças de reposição precisam ser nacionais. Hoje é muito mais barato importar altos volumes da China, mesmo pagando impostos, do que comprar dos mesmos fornecedores nacionais. O consumidor que pagou por um caminhão mais barato não vai querer desembolsar alto valor para troca de uma peça.”

A Foton já conta com centro de distribuição, em Várzea Paulista (SP), para armazenagem de peças. “Temos estoque de quase R$ 5 milhões em autopeças e temos expectativas de expansão”, conta Hamacek, que acrescenta: “Se fornecedores nacionais quiseram atender o nosso mercado de reposição no futuro, deverão ser mais competitivos e apresentar preços mais baixos.”

A Foton já vende produtos com preços competitivos e com bom nível de acabamento. O caminhão de 3,5 toneladas custa a partir de R$ 81.900. O de 6,5 toneladas tem preço sugerido de R$ 97.350. O de 8 toneladas sai por R$ 107.200. E o de 10 toneladas, por R$ 119.800.

Enquanto a fábrica não fica pronta, a empresa, habilitada como investidora pelo Inovar-Auto, pode importar da China até 8,5 mil caminhões, de 3,5 até 10 toneladas, dos mesmos modelos que serão feitos aqui, volume que considera mais do que suficiente para cobrir as necessidades do mercado até 2016. Este ano a empresa pretende fechar com 700 unidades vendidas.