Cana-de-açúcar

Quando o português Martim Afonso de Souza construiu o primeiro engenho brasileiro de cana-de-açúcar no litoral paulista, ele não tinha como imaginar o setor produtivo complexo que se construiria em São Paulo para processar essa planta.

Passados quase 500 anos, o território paulista tem uma área plantada de 5,6 milhões de hectares, nos quais foram produzidos 442,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que geraram um montante de R$27,6 bilhões de acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal - IBGE 2016.

O desenvolvimento do setor aconteceu graças, entre outras coisas, a projetos do governo brasileiro como o Proálcool, à organização dos produtores do setor em entidades e à necessidade de fontes de combustíveis alternativas ao petróleo.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, sendo que São Paulo responde por 55% da área plantada no país. Grande parte das usinas paulistas de processamento de cana podem escolher produzir açúcar ou etanol.

Essa é uma vantagem competitiva do setor sucroalcooleiro estadual em relação à indústria norte americana, baseada no milho. Nos EUA, as usinas de processamento de milho precisam primeiro produzir açúcar para a partir dele produzir etanol.

As plantações paulistas têm alta produtividade por hectare. Isso deve-se, além da qualidade do solo e das condições climáticas favoráveis, às pesquisas realizadas por institutos de pesquisa públicos e privados. A variedade SP81-3250 desenvolvida no Centro de Tecnologia Canavieira, na cidade de Piracicaba, é a cana-de-açúcar mais plantada no país atualmente.

As 172 usinas instaladas no estado correspondem a 42% do total brasileiro e foram responsáveis por 56% da cana moída nacionalmente na Safra 2016/2017 de acordo com dados da UNICA, União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

Elas produzem grande parte do etanol utilizado nos automóveis flex que circulam no Brasil. Uma revolução no mercado automobilístico nacional, os carros bicombustíveis foram lançados em 2003, com motores capazes de funcionar com etanol hidratado, gasolina, ou mistura dos dois em qualquer proporção. Além de beneficiar o planeta reduzindo a emissão de gás carbônico, os motoristas têm a opção de escolher o combustível mais econômico na hora de abastecer.

O Estado de São Paulo é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar contribuindo para que o Brasil seja o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás do EUA. Na safra 2016/2017 foram produzidos 13,3 bilhões de litros nas usinas instaladas no estado, o que correspondeu a 48% do que foi produzido nacionalmente.

Produção de Etanol no Planeta
Produção2016(milhões de litros)Participação mundial
Mundo 100.628 100%
Estados Unidos 58.027 58%
Brasil (inclusive São Paulo) 27.615 27%
São Paulo* 13.365 13%
União Europeia 5.213 5%
China 3.199 3%
Canadá 1.650 2%
Tailândia 1.219 1%
Argentina 999 1%
Índia 852 1%
Resto do mundo 1.855 2%
Fonte: RFA Renewable Fuels Association  (2016)  
* Valor estimado baseado em UNICA  (2016/2017)  
Produção de Etanol no Brasil
Gráfico de produção total de Etanol no Brasil

São Paulo também é um grande produtor de açúcar. Em 2016, nas usinas paulistas foram produzidas 24,3 milhões de toneladas de açúcar, que correspondem a 14% do total produzido no mundo. Isso coloca o estado à frente de produtores como Índia (13%), União Europeia (10%), Tailândia (6%), China (6%) e Estados Unidos (5%).

A liderança traduziu-se em comércio internacional. Os produtores paulistas exportaram US$ 6,9 bilhões em 2016. O item indispensável no cafezinho de muitas pessoas ao redor do globo respondeu por 38,6% das exportações do agronegócio paulista.

Exportações paulistas

Novas Possibilidades

Etanol e açúcar não são os únicos produtos nos quais a cana-de-açúcar pode ser transformada. No ano de 2000, entrava em funcionamento no Brasil uma usina com capacidade de produzir 50 toneladas de plástico biodegradável derivado da cana. A tecnologia de fabricação da sua matéria prima, o polihidroxibutirato (PHB), foi desenvolvida com participação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do governo de São Paulo.

As pesquisas tecnológicas e científicas encontram, cada vez mais, novas aplicações para a cana e seus subprodutos. Atualmente é possível transformar o caldo da cana em óleo que substitui o diesel sem necessidade de adaptação dos motores. As cinzas podem ser substitutas da areia na fabricação de concreto e argamassa. Novas técnicas alcoolquímicas abrem possibilidades de serem produzidos detergentes, cosméticos e lubrificantes a partir da cana.

A cana-de-açúcar chegou a São Paulo no passado. Hoje São Paulo leva os produtos da cana para o mundo e projeta um panorama promissor para o futuro.

Sustentabilidade

O Estado de São Paulo é destaque no uso de energia de fontes renováveis. De acordo com balanço divulgado pela Secretaria de Energia, a participação dessas fontes na matriz energética paulista chegou a 60,8% em 2016.

O etanol e a bioeletricidade dão uma grande contribuição para atingir esse elevado índice. O combustível é utilizado em substituição à gasolina, quando hidratado ou misturado a ela quando anidro. A bioeletricidade é gerada pela queima do bagaço da cana em caldeiras. As usinas geram eletricidade para suas próprias atividades, sendo auto-suficientes e parte dessas usinas ainda produzem excedentes comercializáveis.

Em cálculos feitos pelo Programa de Combustíveis Renováveis da Agência de Proteção Ambiental Americana, EPA, a redução de gases do efeito estufa proporcionados pelo uso de etanol de cana-de-açúcar é maior em relação a outras matérias primas quando considerado o ciclo de vida do produto, desde o plantio até a utilização do combustível nos automóveis.

Para reforçar seu compromisso com o meio ambiente, o Estado de São Paulo adotou, em 2007, o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, com o objetivo de substituir a queima da palha pela colheita mecanizada. Após uma década, o Protocolo evitou a emissão de mais de 9,27 milhões de toneladas de CO2 e mais de 56 milhões de toneladas de poluentes atmosféricos. A área de queima autorizada na última safra foi de apenas 2,5% do total da área de colheita de cana no Estado.

Outro ponto de destaque do protocolo foi a redução do uso de água no setor. Ente 2010 e 2016, houve um decréscimo de 40% no consumo de água para o processamento industrial da cana-de-açúcar; nos anos 90, 5 m³ de água eram utilizados para o processamento de 1 tonelada de cana nas usinas; na safra 2016/2017, esse valor caiu para 0,9 m³/t.

De acordo com estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), o etanol brasileiro não apresenta riscos para a segurança alimentar, além de apresentar a maior produtividade em litros por hectare quando comparado às demais alternativas. O Brasil utiliza 2% de suas terras cultiváveis para produção de etanol e suas principais áreas de produção de cana-de-açúcar ficam a pelo menos 2,5 mil quilômetros de distância da Amazônia.

Em 2009, foi lançado o Zoneamento Agroambiental elaborado pelas secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura e Abastecimento. Ele foi criado para orientar o planejamento sustentável do crescimento do setor sucroenergético no Estado de São Paulo. No levantamento, foram considerados os aspectos hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos. Além das áreas, foram estabelecidas regras para o licenciamento de novas usinas de etanol em território paulista.

Pesquisa e desenvolvimento

São Paulo é o berço do desenvolvimento tecnológico e da indústria de base para consolidação da produção de cana-de-açúcar no Brasil. Entre os seus institutos de pesquisa, é possível destacar:

Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) – um dos principais centros mundiais em pesquisa e aplicação da biotecnologia na cana.

Instituto Agronômico de Campinas (IAC) – desenvolve programa de melhoramento genético da cana.

Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) – voltado à pesquisa para obtenção de etanol de cana-de-açúcar com alta produtividade, máximo aproveitamento da matéria-prima e observância de práticas sustentáveis.

Pesquisa em Bioenergia (Bioen) – programa mantido pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) voltado ao estímulo e à articulação de atividades de pesquisa e desenvolvimento, utilizando laboratórios acadêmicos e industriais na promoção do conhecimento e sua aplicação em áreas relacionadas à produção de bioenergia.

Parque Tecnológico de Piracicaba – com uma área de 688 mil m², o local conta com programas de inovação tecnológica associados a empreendimentos para a conversão de fontes de biomassa em combustíveis renováveis. Dispõe de uma incubadora para abrigar empresas industriais ou de prestação de serviço, em sua fase nascente.

Núcleo de Apoio à Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade (NAPBS) – lançado em 2011, tem como objetivo estimular e articular pesquisas sobre biomassa e tecnologias de transformação em biocombustíveis, integrando o conhecimento produzido pelos especialistas das três universidades públicas de São Paulo.

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