11/07/14 14h40

Em busca da fotossíntese perfeita

Valor Econômico

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), controlado por grupos sucroalcooleiros que respondem por cerca de 60% do cultivo da matéria-prima no país, acaba de estabelecer uma parceria com a Benson Hill Biosystems, empresa americana de biotecnologia agrícola, que poderá resultar em aumentos expressivos de produtividade nas lavouras brasileiras.

 

Essa expectativa é alimentada pelo fato de a Benson Hill ser especializada na manipulação dos genes envolvidos na fotossíntese e de já ter obtido bons resultados com outras plantas, ainda que até agora não tenha feito pesquisas com cana. Para acelerar esses trabalhos, a "base" que o CTC vai usar virá da Setaria viridis, tipo de capim cujo rendimento cresceu até 20% a partir de melhorias promovidas por sua nova parceira.

 

"Escolhemos uma planta com um processo de fotossíntese semelhante ao da cana e nossa meta é conseguir um aumento de produtividade da ordem de 15%", afirmou William Burnquist, diretor de melhoramento do CTC, ao Valor. As negociações com a companhia americana começaram no início deste ano e contemplam um pagamento fixo referente ao uso da tecnologia e royalties.

 

Os royalties dependerão dos resultados. Burnquist prefere não especular sobre valores, mas fontes do segmento lembram que, nesse tipo de acordo, os royalties muitas vezes chegam a equivaler a um terço do ganho proporcionado pelo uso da tecnologia transferida. O CTC mantém diversas outras parcerias com instituições e empresas como Embrapa, Bayer e Basf, entre outras.

 

Apesar dos problemas climáticos que tendem a prejudicar a produção de cana no país nesta safra 2014/15, o ano tem sido positivo para o CTC, segundo Burnquist. Em março, a BNDESPar, braço de participações do banco de fomento do governo, adquiriu, a partir de um aporte de R$ 300 milhões, uma fatia no centro.

 

Essa participação não foi revelada, mas os recursos foram incluídos em um plano quinquenal de investimentos de R$ 1,2 bilhão. Datas e valores dos aportes serão definidos ano a ano. Como informou o Valor, a entrada da BNDESPar no capital da CTC também passou a exigir do centro o aprimoramento de seus padrões de governança.