22/11/16 16h36

Total de microempreendedores cresce 18% em um ano em Araraquara

A Cidade On

Araraquara tem registrado crescimento médio de 100 novos cadastros de MEI (Microempreendedor Individual) por mês. Dados do Sebrae-SP mostram que aumentou 18% o total de MEIs nos últimos 12 meses, saltando de 6,8 mil para 8,1 mil.

É o caso da fisioterapeuta Jussara Sutani, de 33 anos, que após ter sido demitida em junho, optou por mudar de área. Ela se tornou uma microempreendedora no ramo da aquaponia, que é a criação de peixes aliada à produção de hortaliças.

“Comecei este projeto há três meses porque sempre tive interesse na criação de peixes. Ainda não consegui ter um retorno financeiro, mas estou esperançosa, porque além da comercialização dos peixes e das hortaliças, ainda estou elaborando projetos para que outras pessoas possam implantar uma aquaponia”, comenta.

Outro exemplo é o de Paulo Sérgio Cassemiliano, 46, que já trabalhou como agente sanitário de combate à dengue e por 15 anos foi motorista, mas que, ao se ver desempregado em 2015, resolveu pôr em prática todo o conhecimento que tinha dos vários ‘bicos’ que fazia como encanador, pintor, jardineiro e eletricista.

Cassemiliano hoje é um ‘faz tudo’. “Só não coloco vidros e gesso”, brinca. Ele está contente com o retorno que tem recebido e as várias ofertas de trabalho. “Sou bastante conhecido e tenho muitos amigos, o que me ajuda na hora de conseguir os trabalhos”, explica.

Ele comenta que o retorno financeiro é o que mais dificulta trabalhar ‘por conta’, porque cada mês o ganho é diferente e imprevisível. “A crise tem feito muita gente também desistir de reformar a casa. Hoje, o que mais aparece são os reparos e consertos que a pessoa não tem como adiar”, comenta, enquanto instala as redes elétricas de uma futura clínica de saúde.

Cassemiliano não pensa duas vezes em responder que sim, voltaria à carteira-assinada se pudesse. “A estabilidade e a garantia de ter as contribuições trabalhistas pagas em dia são o que me fariam voltar, com certeza”, diz ele.


Os benefícios de ser um MEI

Muito além dos benefícios que o programa oferece, a recessão econômica e as altas taxas de desemprego tem sido determinantes para esse crescimento exponencial dos MEIs. Trabalhar por conta própria ou abrir pequenos comércios é a saída encontrada por muita gente que não consegue voltar à carteira assinada. Para esse tipo de trabalhador, o MEI é vantajoso, já que ele deixa o mercado informal e recebe, entre outros benefícios trabalhistas, a oportunidade de contribuir para sua futura aposentadoria.

O Microempreendedor Individual também se torna um pequeno empresário e passa a possuir um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), mas para se encaixar no programa, o faturamento anual tem de ser abaixo de R$ 60 mil - média de R$ 5 mil/mês.

“Sair da informalidade garante um ganho muito absurdo porque o microempresário pode trabalhar com mais tranquilidade, recolher as contribuições previdenciárias e estar protegido contra acidentes ou doenças que possam vir a acontecer”, explica Gustavo Marques, gerente regional do Sebrae-SP/Araraquara.


Valeu a pena investir no próprio negócio

Em abril, a Tribuna entrevistou o microempreendedor Renan Blundi Silva, 27, que apostou tudo em abrir um negócio na área que gosta: suplementos alimentares e universo fitness. Ele juntou suas ‘economias’ e pediu ‘ a conta’ do emprego para abrir seu próprio negócio e não se arrepende nem um pouco.

Na ocasião, ele havia acabado de abrir a loja e dizia que seu faturamento não era muito diferente de quando era um ‘carteira-assinada’. Hoje, ele garante que seu rendimento já está maior e o seu negócio crescendo.

“Dá pra se dizer que eu mudei de vida. Era um funcionário e hoje eu, além de ganhar mais, ainda estou pensando em contratar um funcionário para minha loja no ano que vem”, empolga-se. “Em pouco tempo, posso deixar de ser um contratado para contratar.”